― Fogo?
Depois de anos de calorosas declarações e noites ferventes era agora o máximo que ela aceitaria. Provocantemente intensa como sempre, colocara o cigarro dentre os lábios e lentamente os aproximara junto ao isqueiro. Desolado, sentia ciúmes até do cigarro que a tovaca. Permancera calada, permitindo que seu aroma cítrico fosse a coisa mais presente naquela esquina de junho. Ambos sabiam que o vento gélido que soprava trazia os ruídos que ele evitara acreditar, e que ela evitara esquecer.
Concentrado naqueles rubros cabelos, custava reconhecer que ela não mais o amava. Mas o amor acaba. Numa esquina, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas. O amor acaba em meio à espera de um taxi, arrematador de uma ruptura definitiva.
― Vais pegar quando tuas coisas?
Permanecendo fiel ao seu silêncio, ela simplesmente balançara a cabeça, não sabendo ou não querendo responder àquela pergunta. Fitando o céu ausente da lua, parecia mais interessada em deliciar os últimos tragos de seu cigarro. Ele, inquieto, olhava a todo o momento se algum taxi se aproximava. Que mulher irritante. Nunca um silêncio o irritara tanto.
―Tens certeza de que vais para o Rio? Tu sabes que não posso ir contigo.
Novamente, ele falara com a noite. Dessa vez, nem movimentos com a cabeça ela se dignou a fazer. Continuava concentrada naquele efêmero prazer. A esquina fez seu papel. O amor acabara. E o taxi chegara para fazer o seu. Ela saiu de seu estado de transe e jogando fora o cigarro, fitou aquele homem profundamente.
Depois de anos de calorosas declarações e noites ferventes era agora o máximo que ela aceitaria. Provocantemente intensa como sempre, colocara o cigarro dentre os lábios e lentamente os aproximara junto ao isqueiro. Desolado, sentia ciúmes até do cigarro que a tovaca. Permancera calada, permitindo que seu aroma cítrico fosse a coisa mais presente naquela esquina de junho. Ambos sabiam que o vento gélido que soprava trazia os ruídos que ele evitara acreditar, e que ela evitara esquecer.
Concentrado naqueles rubros cabelos, custava reconhecer que ela não mais o amava. Mas o amor acaba. Numa esquina, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas. O amor acaba em meio à espera de um taxi, arrematador de uma ruptura definitiva.
― Vais pegar quando tuas coisas?
Permanecendo fiel ao seu silêncio, ela simplesmente balançara a cabeça, não sabendo ou não querendo responder àquela pergunta. Fitando o céu ausente da lua, parecia mais interessada em deliciar os últimos tragos de seu cigarro. Ele, inquieto, olhava a todo o momento se algum taxi se aproximava. Que mulher irritante. Nunca um silêncio o irritara tanto.
―Tens certeza de que vais para o Rio? Tu sabes que não posso ir contigo.
Novamente, ele falara com a noite. Dessa vez, nem movimentos com a cabeça ela se dignou a fazer. Continuava concentrada naquele efêmero prazer. A esquina fez seu papel. O amor acabara. E o taxi chegara para fazer o seu. Ela saiu de seu estado de transe e jogando fora o cigarro, fitou aquele homem profundamente.
Ele, apesar de sozinho antes, sentia só agora o peso da solidão. Nada fez. Não a veria mais. Tudo acabara. Sabia que ela não voltaria para pegar suas coisas.
O trecho em vermelho é de autoria alheia.
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