- Fala uma coisa bonitinha pra mim?
Fodeu, pensou. Por essa ele não esperava. Sempre imaginava coisas muito bonitinhas, mas pra falar... Naquele momento não, era muito arriscado. Estavam no segundo encontro, a menina se assustaria. Ele sempre tivera essa mania de pensar adiante demais, mesmo que fosse só para si. Agora, não poderia usar esse monte de castelos de vento.
- Me dá trinta segundos.
Um prazo. Excelente. Agora era aproveitar esse tempo. (Sua vida ultimamente havia se resumido a fazer malabarismo para cumprir prazos). Uma coisa bonitinha... Estava tudo escuro, não era fácil olhar aqueles olhos misteriosos e tirar inspiração. Suas pernas estavam embaixo das dela, sofrendo uma pressão muito leve, quase nenhuma, e ele só sentia aquele toque sensual. A menina mostrava os dentes num sorriso desconcertante. Roçava o pé nos pés dele com displicência carinhosa, e ele se derretia. Por sua cabeça, porém, não passava nada.
Muita prosa e pouca poesia. Era isso o que estava acontecendo em sua vida. Estava perdendo a capacidade de falar coisas bonitinhas. Não conseguia falar… Será que não conseguir se expressar significava não sentir? Assustou-se. Bateu uma angústia, um medo de não conseguir sentir mais nada por ninguém, de perder toda a sensibilidade… O que estava acontecendo?
Sentiu-se oco. Como poderia falar alguma coisa bonitinha? Só queria ficar ali, quieto, eternamente, debaixo daquele corpo esguio, quente. Falar era arriscar-se. Poderia pôr tudo a perder. Isso, aliás, era algo que o incomodava. Às vezes se pegava querendo congelar o tempo, deixar as coisas na mesma situação. Não entendia como aquela garota podia gostar dele... E por isso tinha medo de que, se ela o conhecesse “de verdade”, fatalmente cairia em si e iria embora.
Os pensamentos zuniam enquanto o tempo se esgotava. Se esforçava para pensar uma coisa fofa que pudesse ser dita. Meu carinho por você cresce em uma escala logarítmica – idiota demais. Queria derrapar em todas as suas curvas – caminhoneiro demais. Adoro tudo em você – sem originalidade. Queria plantar rosas num jardim ao pé da sua cama – piegas demais. Seu sorriso desconcerta – só isso? Como era difícil... Fazia tempo que ele não falava coisas bonitinhas. Definitivamente, perdera o jeito. Era agora, agora ela descobriria que cometera um engano, que ele era uma fraude, e sairia pela porta, desistiria de tudo...
- Gosto tanto de você que me assusta o medo que já tenho de te perder.
O sorriso dela alcançou as orelhas. Depois disso ele parou de pensar completamente
Fodeu, pensou. Por essa ele não esperava. Sempre imaginava coisas muito bonitinhas, mas pra falar... Naquele momento não, era muito arriscado. Estavam no segundo encontro, a menina se assustaria. Ele sempre tivera essa mania de pensar adiante demais, mesmo que fosse só para si. Agora, não poderia usar esse monte de castelos de vento.
- Me dá trinta segundos.
Um prazo. Excelente. Agora era aproveitar esse tempo. (Sua vida ultimamente havia se resumido a fazer malabarismo para cumprir prazos). Uma coisa bonitinha... Estava tudo escuro, não era fácil olhar aqueles olhos misteriosos e tirar inspiração. Suas pernas estavam embaixo das dela, sofrendo uma pressão muito leve, quase nenhuma, e ele só sentia aquele toque sensual. A menina mostrava os dentes num sorriso desconcertante. Roçava o pé nos pés dele com displicência carinhosa, e ele se derretia. Por sua cabeça, porém, não passava nada.
Muita prosa e pouca poesia. Era isso o que estava acontecendo em sua vida. Estava perdendo a capacidade de falar coisas bonitinhas. Não conseguia falar… Será que não conseguir se expressar significava não sentir? Assustou-se. Bateu uma angústia, um medo de não conseguir sentir mais nada por ninguém, de perder toda a sensibilidade… O que estava acontecendo?
Sentiu-se oco. Como poderia falar alguma coisa bonitinha? Só queria ficar ali, quieto, eternamente, debaixo daquele corpo esguio, quente. Falar era arriscar-se. Poderia pôr tudo a perder. Isso, aliás, era algo que o incomodava. Às vezes se pegava querendo congelar o tempo, deixar as coisas na mesma situação. Não entendia como aquela garota podia gostar dele... E por isso tinha medo de que, se ela o conhecesse “de verdade”, fatalmente cairia em si e iria embora.
Os pensamentos zuniam enquanto o tempo se esgotava. Se esforçava para pensar uma coisa fofa que pudesse ser dita. Meu carinho por você cresce em uma escala logarítmica – idiota demais. Queria derrapar em todas as suas curvas – caminhoneiro demais. Adoro tudo em você – sem originalidade. Queria plantar rosas num jardim ao pé da sua cama – piegas demais. Seu sorriso desconcerta – só isso? Como era difícil... Fazia tempo que ele não falava coisas bonitinhas. Definitivamente, perdera o jeito. Era agora, agora ela descobriria que cometera um engano, que ele era uma fraude, e sairia pela porta, desistiria de tudo...
- Gosto tanto de você que me assusta o medo que já tenho de te perder.
O sorriso dela alcançou as orelhas. Depois disso ele parou de pensar completamente
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